himalaístas: Vítor Baía. O instrutor de parapente e veterano montanhista
(foi um dos fundadores do Clube de Montanhismo da Guarda) tornou-se uma
referência nos últimos anos pela fiabilidade das suas previsões meteorológicas.
A partir da Guarda, a cidade mais alta de Portugal, onde vive com a família, Baía
começou a “adivinhar” o tempo para o amigo João Garcia depois da conquista do
Everest, em 1999.
“Se não nevar muito este ano e já estiverem aclimatizados, devem aproveitar
para ir ao cume logo na primeira janela de oportunidade”, é o conselho de Vítor Baia
para a expedição ao Annapurna.
“No Inverno, nunca neva muito, aquela latitude já é tropical, a diferença são as
temperaturas mínimas. Há muita gente a dizer coisas bombásticas, mas este ano,
nos Himalaias, o Inverno foi normal, e não registou níveis anormais de precipitação!”,
explica o meteorologista autodidacta, que ganhou conhecimentos com muito estudo e cruzamento de
informações nos sítios meteorológicos de referencia na Internet.
Esta Primavera, outro português receberá por SMS ou e-mail via telefone satélite, as previsões:
Ângelo Felgueiras, o piloto da TAP que vai tentar escalar o Everest.
Vítor ganhou fama além fronteiras e começou a tirar algum proveito, depois de 2006 e da expedição
de João Garcia ao Kangchenjunga. Com Ivan Vallejo, o alpinista português alcançou o cume da
terceira montanha mais alta do mundo, no preciso dia em que aconselhava o meteograma enviado
por Vítor Baía. Quando esteve em Portugal, o equatoriano fez um desvio para agradecer pessoalmente
ao meteorologista a fiabilidade da previsão.
O italiano Mario Panzeri e a espanhola Edurne Pasaban, que luta por ser a primeira mulher totalista dos
cumes de 8 mil metros, são esta época beneficiários das previsões portuguesas.
Na Guarda, pela calada da noite, quando a família dorme e já o sol vai alto nos Himalaias, Vítor vai, uma
vez mais, sentar-se ao computador, e qual anjo da guarda irá cruzar informações sobre a força do vento,
a precipitação e a temperatura acima dos 7 mil metros. Na prática, zelará por diminuir ao máximo a incerteza
do único factor que os alpinistas e outros homens ainda não controlam totalmente: o controlo do tempo
e do clima.