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Nos dias 10 e 11 de Abril,a seleção nacional de parapente veio á Serra da Estrela em Estagio
para o 11º Campeonato da Europa de Parapente, que se irá realizar am Abtenau, na Áustria,
entre 23 de Maio e 5 de Junho de 2010. |

Há outro português famoso nos Himalaias além de João Garcia
Além de João Garcia, há outro português com fama crescente entre os
himalaístas: Vítor Baía. O instrutor de parapente e veterano montanhista
(foi um dos fundadores do Clube de Montanhismo da Guarda) tornou-se uma
referência nos últimos anos pela fiabilidade das suas previsões meteorológicas.
A partir da Guarda, a cidade mais alta de Portugal, onde vive com a família, Baía
começou a “adivinhar” o tempo para o amigo João Garcia depois da conquista do
Everest, em 1999.
“Se não nevar muito este ano e já estiverem aclimatizados, devem aproveitar
para ir ao cume logo na primeira janela de oportunidade”, é o conselho de Vítor Baia
para a expedição ao Annapurna.
“No Inverno, nunca neva muito, aquela latitude já é tropical, a diferença são as
temperaturas mínimas. Há muita gente a dizer coisas bombásticas, mas este ano,
nos Himalaias, o Inverno foi normal, e não registou níveis anormais de precipitação!”,
explica o meteorologista autodidacta, que ganhou conhecimentos com muito estudo e cruzamento de
informações nos sítios meteorológicos de referencia na Internet.
Esta Primavera, outro português receberá por SMS ou e-mail via telefone satélite, as previsões:
Ângelo Felgueiras, o piloto da TAP que vai tentar escalar o Everest.
Vítor ganhou fama além fronteiras e começou a tirar algum proveito, depois de 2006 e da expedição
de João Garcia ao Kangchenjunga. Com Ivan Vallejo, o alpinista português alcançou o cume da
terceira montanha mais alta do mundo, no preciso dia em que aconselhava o meteograma enviado
por Vítor Baía. Quando esteve em Portugal, o equatoriano fez um desvio para agradecer pessoalmente
ao meteorologista a fiabilidade da previsão.
O italiano Mario Panzeri e a espanhola Edurne Pasaban, que luta por ser a primeira mulher totalista dos
cumes de 8 mil metros, são esta época beneficiários das previsões portuguesas.
Na Guarda, pela calada da noite, quando a família dorme e já o sol vai alto nos Himalaias, Vítor vai, uma
vez mais, sentar-se ao computador, e qual anjo da guarda irá cruzar informações sobre a força do vento,
a precipitação e a temperatura acima dos 7 mil metros. Na prática, zelará por diminuir ao máximo a incerteza
do único factor que os alpinistas e outros homens ainda não controlam totalmente: o controlo do tempo
e do clima.
Aurélio Faria Jornalista
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Miguel Almeida
Miguel Almeida, presidente do Clube Vertical foi distinguido na Gala Dos Campeões com os Prémios de Melhor Júri e de Personalidade do Ano. Miguel Almeida tem prestado um enorme contributo ao parapente nacional, prestando serviço logístico aos pilotos que vem voar á Azinha,(Serra da Estrela, Manteigas),sendo desta forma recompensado pelo seu esforço e dedicação ao Voo Livre! |
Aquele dia de Junho de 2009 foi sem dúvida fantástico para o parapente em Portugal e em especial para mim porque estava presente. As condições meteorológicas previstas faziam adivinhar grandes voos. Como é costume nestes dias fico bastante agitado e uma ansiedade tremenda invade o meu corpo parecendo adivinhar o dia que aí vem. A pressão tornou-se ainda maior porque quando cheguei com o Ciby e o Miguel à descolagem, já o Vítor, o Alex e o Pedro Lacerda tinham partido em direcção a Covilhã. O dia estava realmente fabuloso e mal descolámos já estavamos a 3400 metros de altitude, isto em menos de 15 minutos. Eu e o Ciby cometemos aí o primeiro erro, saímos da serra para tentar atalhar caminho e assim podermos apanhar os craques da frente, mas não só não os apanhámos como também fomos direitinhos para o chão, chão esse que só o Ciby tocou porque por milagre eu apanhei uns bafos e lá me safei. Agora, como na maioria dos meus voos de distância, lá estava eu outra vez sozinho. Quando voamos sós e dependemos apenas de nós mesmos para sobreviver, os níveis de concentração aumentam e os nossos sentidos tornam-se muito mais apurados e sensíveis. Tudo isto passa para a nossa pilotagem tornando-se mais activa, evitando assim possíveis erros. Logo, se voamos com mais segurança, voamos mais e melhor. Os primeiros 50 km foram os mais difíceis, andava-se menos e estive algumas vezes baixo, mas depois de entrar em Espanha ficou uma delícia, tecto alto e a térmica era do melhor. O vento aumentou um pouco de intensidade a partir do meio do voo. Nesta altura já não sabia onde estava nem o nome das localidades. Andava perdido fisicamente, mas estava bem concentrado na melhor rota a seguir e além disso sabia que o Victor, o Alex e o Pedro andavam algures por aí. O Miguel, que é o homem das recolhas, já andava por perto, como sempre, o que me dava um certo alento para continuar. O tempo passava sem dar por isso, é sempre assim quando faço cross, e este voo em nada foi diferente dos outros, apenas o número de km foi um pouco maior. Tive direito a tudo o que de bom estes voos nos dão, os Abutres, desta vez em menor quantidade, lá estavam eles a marcar as térmicas, e é impressionante a maneira insignificante com que olham para nós; os caças também estiveram presentes na zona de Penamacor, e estes merecem um pouco mais de atenção e respeito. É incrível a quantidade de sentimentos e tantas vezes opostos, que um voo de distância nos provoca, a tristeza e frustração quando tudo parece estar acabado mas de repente a nossa asa leva um abanão e aí a tristeza é substituída pela esperança, lá está ela, uma térmica potente daquelas em que temos a certeza que vamos para a nuvem. Aí a adrenalina toma conta de nós e como que por instinto apenas uma coisa importa, o núcleo. Mas também é verdade que em determinados momentos do voo o medo e a insegurança me fazem questionar qual a necessidade de pôr a vida em risco, e é nesta altura que devemos ter a coragem suficiente para não desistir, pois só assim é possível evoluir no voo livre, mas naturalmente que devemos conhecer as nossas limitações e é preciso saber parar quando as condições ultrapassam as nossas aptidões e conhecimentos. Mas voltando ao voo, no final do dia a restituição funcionou lindamente e com a velocidade a aumentar os km foram passando (pelo menos na minha cabeça porque na verdade eu não sabia quantos já tinham passado, sabia que eram muitos mas nunca imaginei ter ultrapassado os 200). Foi uma sensação fantástica poder ver o pôr-do-sol a 3800 metros de altitude, foi lindo! É também importante referir que o voo durou quase sete horas, nas quais não utilizei acelerador (porque não tenho), não bebi nem comi e no final fiquei com a sensação de querer continuar. Sem dúvida que a força psicológica supera em muito a força física. Falta dizer que a asa que me tem dado tantas alegrias é uma Advance Epsilon 5. É verdade, é uma 1/2, e é esta asa que me dá segurança e tranquilidade suficiente para poder desfrutar o voo ao máximo. Aconselho a todos os que, como eu, ainda têm pouca experiência e querem evoluir gradualmente no voo livre. Devem começar nesta categoria de asas, e voar o maior número de horas, se possível em montanha. Depois sim, podem comprar uma avioneta, e mais tarde um avião.
Parabéns ao Victor, ao Alex e ao Pedro Lacerda que também fizeram uns voos que vão ficar na memória. Obrigado ao Miguel pela força que nos transmite, e nos encoraja a ir cada vez mais longe. Parabéns também à ADVANCE que desenvolve asas com uma qualidade acima da média e nos permitem uma evolução segura. Foi um dia incrível, pena mais pilotos não terem aproveitado.
Carlos Barbas
No site da Advance: http://www.advance.ch/Newsdetail.578.0.html?&no_cache=1&L=1&tx_ttnews[tt_news]=925&tx_ttnews[backPid]=4 |
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