Começa a Primavera?

segunda, 13 maio 2013 23:34
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Então, dois dias de competição em Manteigas. E ao fim-de-semana, por favor!

O Vítor já tinha mostrado noutros voos que a Primavera estava para ficar.

Portanto, fartinhos das chuvas de Abril, nos dias 4 e 5 Maio convocou-se ad-hoc a Taça de Portugal, prova fora do calendário dito oficial que o Eduardo Lagoa, apoiado pelo Vertical e por outros dois importantes clubes, tentava implementar como preparação, treino, formação e... ACÇÃO!. Participam os pilotos menos experientes e os aficcionados do costume, pois claro! Tem estratégia de voo, definição de mangas, comentário posterior e até umas dicas em voo. E pontuação, pois!

Logo de manhã, no Sábado, carregámos os pontos, tratámos das inscrições e subimos cedo. Desenhámos uma manga de vai e vem na serra da Azinheira, com uma perna final para Castelo Branco.

Parecia tarefa fácil, mas as térmicas estavam muito fraquitas.

Pelo que me toca, com os pontos GPS mal definidos, porque mal gravados, parecia que tirava um curso de informática em voo, a tirar e a acrescentar balizas durante o voo. Como não consegui tirar uma baliza que não fazia parte da manga, e teimoso que estava o aparelho a apontar-me para ela, decidi passar-lhe por cima. Não devia ter cedido: como  era o meio do vale de Verdelhos e a condição não melhorara muito, por ali me quedei, desasado...

Nova subida, nova descolagem, a gente está cá é para voar (pobre Victória, que era oficial de descolagens!...). E tanto que voámos!

O Rui descolou e eu segui-o. Fui à frente determinado a fazer un triângulo, porque a condição estava mais para isso, mas não consegui, que não estavam lá as térmicas costumeiras, vindo a marrecar perto do açude do Rio Beijames, já na volta do Teixoso.

O Rui passou até à Covilhã, aterrando na zona industrial de Tortosendo onde aproveitou para comer umas tostas mistas, o Vítor e o Eduardo cumpriram a manga, aterrando no golo de Castelo Branco, e o Eusébio quase chegou à barragem da Marateca.

Neste primeiro dia éramos só uns 13 ou 14 pilotos.

No Domingo, aprontaram-se mais uns forasteiros e a descolagem era a Azinha. Condição fraquinha, novamente, umas senhoras nuvens e quando o tempo de partida chegou, o vento virou! Virou completamente de costas, nada de especial, mas chegava para nos desarrumar as asas alinhadas e prontas para descolar.

Meia hora a esperar. Até que o vento (de Oeste) fica mais fraco, o Eduardo abre os braços no ponto mais baixo e diz para todos: - Se descolarem agora, dão uma corrida e já conseguem...

Não foi preciso, Eolo estava amigável e deferente, ouviu-o e aprontou no momento uma brisa mesmo a jeito, de frente!

Foi tudo para o ar, menos o próprio Eduardo, o Rui e mais uns dois.

TÉÉÉRRRMICAAAA! Aquilo subia por ali acima que nem era preciso rodar. Tanto fazia por baixo da nuvem, como fora dela! O vário cantava e nós fazíamos o acompanhamento! É nestes dias que temos a certeza de estar no desporto certo :-)

Entretanto, em baixo, lá muito em baixo, na descolagem, descolaram os restantes mas a condição era muito mais fraca,

O Eduardo logo nos alcançou a caminho da primeira baliza, o cabeço do Souto (um "start" com raio alargado), mas o Rui estava cada vez mais pequenino lá em baixo, até onde alcançava a vista,  a sobrevoar a aterragem oficial do Vale de Amoreira a pouco mais de 100 metros de altura (670m ASL), tanto que o dei por aterrado ao ver, na volta seguinte, uma asa laranja no chão.

- Lá se ficou o meu companheiro marrecado, pensei. - E não me preocupei mais com o Rui.

E, de baliza feita, partimos de Manteigas direitos à Guarda, houve alturas em que brincámos com as nuvens, porque havia bastante sol e a nuvens não ensombravam demasiado. 3000m ASL, frio nas mãos, brrr,  os dedos já não sentiam.

Guarda à vista, cortejei-a pelo lado Sul, pausa para uma fotos, fiquei baixo mas recuperei. E aqui é que a maioria de nós errou. Devíamos ter-nos afastado mais da serra, para Sul, de modo a obter zonas mais soalheiras, que as nuvens nos escureciam demasiado o céu. Fez-nos falta o Vítor, que hoje não voou, para mostrar o caminho.

Quando fiquei baixo perto de Vila Fernando, logo me decidi por um campo de futebol numa área sobrelevada, com uma aterragem testemunhada por muita gente que devia estar acostumada a ver parapentes.

No GPS indicava que eu estava em Albardo e que ainda havia de ter percorrido mais 27km para chegar a Vilar Formoso. E tinha dois cafés, logo me informaram, mas não foram necessários porque percebi pelo rádio que a recolha estava perto.

Quinze minutos decorridos, a asa já embalada, ouço no rádio o Rui:

- Mas tu estás mesmo a voar? - perguntei atónito, pensando que tinha subido de novo à descolagem.

- Sim! E a 20km do golo!

- Então já me passaste por cima! - exultei de alegria.

Aterrou poucos km depois do Monte da Velha, passando por cima da maioria dos pilotos, já aterrados, incluindo o mestre!... Ficámos todos por umas aldeias com uns nomes lindíssimos por onde passa o rio Noéme e o Côa, terras calmas - ou em festa - que é preciso ir visitar com olhos de ver.

Só o Eusébio chegou ao golo (era mais uma térmica!) e claro, o David que, fora da prova havia descolado da aterragem oficial com um pequeno motor eléctrico, que construiu, e depois foi de térmica em térmica, sem motor, como só ele sabe.

Muita alegria e confraternização nas recolhas, tanto que a Victória não conseguia falar ao rádio. Que falta de respeito!!!

Julho ou Agosto não é melhor que isto. Mas como ainda vêm longe e ouvi dizer que a Taça veio para ficar, estejam atentos!

Algumas fotos sobretudo obtidas a Sudeste da Guarda
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Modificado em terça, 14 maio 2013 15:01

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